Consumo diário de amendoim pode beneficiar o cérebro e favorecer a memória após os 60 anos
Pesquisa realizada na Holanda aponta que a ingestão de 60 gramas de amendoim torrado sem sal por dia pode melhorar a sensibilidade cerebral à insulina em adultos mais velhos, abrindo novas perspectivas para estudos sobre envelhecimento e saúde cognitiva.
Um alimento bastante popular na alimentação dos brasileiros pode ter benefícios que vão além de seu valor nutricional. Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Maastricht, na Holanda, identificaram que o consumo diário de amendoim torrado sem sal pode melhorar a resposta do cérebro à insulina em pessoas com mais de 60 anos, especialmente em regiões relacionadas à memória.
O estudo, publicado em 30 de setembro na revista científica Food & Function, acompanhou 31 adultos saudáveis, com idades entre 60 e 75 anos. Durante 16 semanas, os participantes consumiram diariamente 60 gramas de amendoim, divididos em duas porções.
Ao analisar os resultados, os pesquisadores observaram uma melhora na resposta cerebral à insulina em determinadas regiões do hemisfério direito, incluindo o hipocampo e o giro do cíngulo posterior, estruturas envolvidas em processos relacionados à memória e ao funcionamento cognitivo.
A importância da insulina para o cérebro
Embora seja mais conhecida por sua função no controle dos níveis de açúcar no sangue, a insulina também desempenha um papel importante no sistema nervoso central. O hormônio participa de mecanismos que favorecem o crescimento, a sobrevivência e a comunicação entre as células nervosas.
Essas funções são fundamentais para o funcionamento adequado do cérebro e estão relacionadas a processos como aprendizagem, formação de memórias e manutenção das capacidades cognitivas.
Com o avanço da idade, entretanto, algumas regiões cerebrais podem apresentar uma redução na sensibilidade à insulina. Essa alteração tem sido associada ao declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento, embora os mecanismos envolvidos ainda sejam investigados pela comunidade científica.
Segundo Peter Joris, professor da Universidade de Maastricht e autor sênior da pesquisa, o envelhecimento pode tornar o cérebro menos responsivo à ação desse hormônio.
O pesquisador destaca que os resultados demonstraram efeitos positivos do consumo diário de amendoim sobre a resposta à insulina em áreas cerebrais associadas à memória, o que pode ajudar a compreender possíveis benefícios cognitivos relacionados ao alimento.
Alimentação e envelhecimento saudável
O amendoim contém proteínas vegetais, gorduras predominantemente insaturadas, fibras, vitaminas e minerais que contribuem para uma alimentação equilibrada.
Entre seus componentes estão a vitamina E, o magnésio e compostos antioxidantes, nutrientes que participam de diferentes funções do organismo. Entretanto, os pesquisadores ainda precisam esclarecer quais substâncias ou mecanismos estão diretamente envolvidos nos efeitos cerebrais observados.
A descoberta amplia o interesse científico pela relação entre alimentação, metabolismo e saúde do cérebro, especialmente diante do envelhecimento da população mundial e da busca por estratégias que contribuam para preservar a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade.
Resultados promissores exigem novas pesquisas
Apesar dos resultados positivos, os especialistas ressaltam que o estudo envolveu um número reduzido de participantes e foi realizado com adultos saudáveis. Por isso, ainda não é possível afirmar que o consumo diário de amendoim previna doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ou impeça a perda de memória.
A melhora na resposta cerebral à insulina também não significa, necessariamente, uma melhora comprovada da memória ou de outras capacidades cognitivas.
Novas pesquisas, com grupos maiores e acompanhamento prolongado, serão necessárias para determinar se os efeitos observados podem produzir benefícios duradouros.
Além disso, a quantidade utilizada no estudo, de 60 gramas por dia, representa uma porção relativamente calórica, que deve ser considerada dentro das necessidades nutricionais individuais. Pessoas com alergia ao amendoim não devem consumir o alimento.
Mesmo com essas limitações, a investigação reforça a importância de estudar como hábitos alimentares podem influenciar o funcionamento cerebral ao longo da vida.
A pesquisa abre novas possibilidades para compreender a relação entre nutrição e envelhecimento saudável, mostrando que alimentos comuns podem desempenhar um papel relevante em processos biológicos associados à saúde do cérebro.
