Do interior para o debate estadual: Deka Caraciolo representa nova geração política que cobra protagonismo da juventude em Pernambuco

 

Dirigente da Juventude Socialista do PDT e estudante, liderança do Agreste defende participação popular, fortalecimento do interior e políticas estruturais para jovens.


Com trajetória iniciada no movimento estudantil, jovem trabalhista aposta na organização social e na formação política como caminho para renovar a representação pública no estado.

O surgimento de novas lideranças jovens fora dos grandes centros urbanos começa a redesenhar o debate político em Pernambuco. Em meio a desafios históricos como desigualdade regional, falta de oportunidades para a juventude e distanciamento entre população e instituições políticas, nomes oriundos da militância social passam a ocupar espaço no cenário estadual. Entre eles está André Caraciolo, conhecido como Deka Caraciolo.

Natural de Pesqueira, no Agreste pernambucano, o estudante de 25 anos, construiu sua trajetória longe das tradicionais famílias políticas que marcaram a história do interior. Hoje, atua em todo o estado como vice-presidente do Agreste e Sertão da Juventude Socialista do PDT, defendendo um projeto político baseado no trabalhismo, na organização popular e no protagonismo juvenil.

A política como resposta ao cenário nacional

O ingresso de Deka na política não ocorreu por planejamento eleitoral, mas por mobilização social. Ainda adolescente, acompanhou o cenário político nacional marcado pela crise institucional da década passada. Aos 15 anos, afirma ter despertado para o debate público ao observar o ambiente de polarização e o processo que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No ensino médio, participou de mobilizações estudantis contra a política de austeridade fiscal e assumiu a presidência do grêmio estudantil na sua escola, experiência que considera decisiva para compreender a política como instrumento coletivo de transformação.

“A política entrou na minha vida quando percebi que decisões tomadas longe da realidade das pessoas mudavam diretamente o futuro da juventude”, afirma.

A partir daí, passou a colaborar com movimentos sociais e entidades estudantis, dialogando com organizações ligadas à educação, à reforma agrária e à defesa de direitos sociais — vivências que consolidaram sua formação política.

Deka Caraciolo

Interior e juventude no centro do debate

Para Deka, a ausência de políticas estruturadas para jovens fora da Região Metropolitana do Recife é um dos principais problemas de Pernambuco. Ele defende que o estado precisa abandonar ações isoladas e construir um plano permanente voltado à juventude.

“A juventude do interior vive entre a falta de oportunidades e o avanço da violência. Sem políticas públicas integradas, muitos jovens acabam sendo empurrados para caminhos que poderiam ser evitados”, avalia.

Sua proposta central é a criação de um plano estadual articulado com os municípios, envolvendo saúde mental, segurança preventiva, esporte, cultura, educação e preservação ambiental. Na visão do dirigente, investir na juventude não deve ser tratado como política assistencial, mas como estratégia de desenvolvimento.

Formação política e identidade trabalhista

Deka afirma que a formação política e acadêmica é parte essencial de sua preparação para a vida pública. Ele se define como trabalhista, tradição política associada à defesa da educação pública, do desenvolvimento nacional e da justiça social.

Entre suas referências estão pensadores e lideranças que marcaram a política brasileira e latino-americana, especialmente aqueles ligados à educação, à soberania nacional e à inclusão social. A inspiração, segundo ele, não está apenas em nomes históricos, mas na ideia de que política deve servir como instrumento de transformação concreta da realidade social.

Dentro do PDT, sua atuação se concentra na organização da juventude no interior do estado, buscando ampliar a participação política em regiões tradicionalmente menos representadas.

Crítica à política tradicional

Um dos pontos mais recorrentes em seu discurso é a crítica ao modelo político baseado em estruturas familiares e distantes da população. Para Deka, a renovação política não depende apenas da idade dos representantes, mas da forma como a política é exercida.

“Renovar não é só trocar nomes. É mudar práticas, abrir espaço para participação popular e acabar com a lógica de privilégios que afastou a população da política”, afirma.

Ele destaca que sua trajetória, construída no movimento estudantil e na militância social, representa uma alternativa ao que chama de “política de herança”, comum em diversas regiões do país.

Saneamento, meio ambiente e agricultura familiar

Além da pauta da juventude, o dirigente defende políticas públicas voltadas ao saneamento básico e à preservação ambiental, temas que considera estratégicos para o desenvolvimento regional. Segundo ele, problemas estruturais ligados à água e à infraestrutura continuam impactando diretamente a qualidade de vida no interior.

A agricultura familiar também aparece como prioridade, vista por ele como instrumento de fortalecimento econômico local e combate às desigualdades regionais.

“Desenvolver Pernambuco passa necessariamente por olhar para o interior, garantir condições dignas de vida e valorizar quem produz”, defende.

Construção de um projeto coletivo

Embora admita a intenção de disputar eleições no futuro, Deka afirma que o momento atual é de preparação política e fortalecimento de base social. Seu objetivo declarado é construir, quando chegar a hora, um mandato popular estruturado na participação direta da população.

A ideia, segundo ele, é criar canais permanentes de escuta e decisão coletiva, reduzindo a distância entre representantes e cidadãos.

“Mandato não pode ser espaço de privilégios. Precisa ser ferramenta de organização popular”, resume.

Nova geração em formação

Fora da política institucional, mantém rotina simples, valorizando o convívio com amigos e a paixão pelo futebol, como torcedor do Sport Club do Recife. Entre aliados, é descrito como articulador conciliador, capaz de dialogar com diferentes setores — característica que ele próprio atribui à crença na política como espaço de construção coletiva.

Apesar do tom firme nas posições ideológicas, afirma priorizar o diálogo democrático e a construção de consensos sociais amplos.

Um sinal de mudança no cenário político

O avanço de lideranças jovens oriundas do movimento estudantil e do interior pode indicar uma transformação gradual no perfil da política pernambucana. Em um cenário marcado por desconfiança institucional e demandas sociais crescentes, figuras como Deka Caraciolo surgem tentando conectar militância social, formação técnica e projeto político.

Mais do que uma trajetória individual, sua atuação reflete o esforço de uma geração que busca ocupar espaços públicos defendendo participação popular, políticas estruturais para juventude e maior equilíbrio entre capital e interior.

Se esse movimento se consolidará nas urnas no futuro ainda é uma questão em aberto. Mas, para Deka, o caminho já está definido: “A política precisa voltar a ser instrumento das pessoas comuns. É para isso que eu estou me preparando”.