Quais as diferenças de atuação do PCC e do CV no Brasil e como atuam? Especialista em segurança pública e autor do livro Inteligência do Crime Organizado Brasileiro responde
No livro “Inteligência do Crime Organizado Brasileiro”, livro a ser lançado no dia 11 de agosto, pela Editora Haryon, o professor Ricardo Gennari faz um apanhado do mecanismo de funcionamento e das ramificações do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho).
Para o especialista em segurança pública, na década de 90 havia um bom entendimento entre o PCC e CV, mas nenhuma parceria. “O PCC traficava cocaína no país, inclusive no Rio de Janeiro. Já o CV traficava maconha inclusive no interior de São Paulo. O PCC exporta cocaína para o mundo, principalmente para os Estados Unidos e a Europa. O negócio do CV é tráfico interno, principalmente o de maconha”, comenta.
De acordo com Gennari, hoje o PCC atua na economia licita e investe na compra de imóveis, postos de gasolina, farmácias, fazendas, “bets” e no mercado financeiro através de fintechs. ”Infelizmente, o crime organizado no Brasil tem se expandido na busca de dinheiro e proteção. O crime organizado cobra proteção de empresários e comerciantes no norte, nordeste e sudeste. No Rio de Janeiro, o CV cobra tv a cabo, internet, gás de cozinha, energia e vende terreno para a população carioca”, comenta.
Mas, segundo o professor não existe ligação política entre as facções. “No entanto, o Comando Vermelho escolhe e patrocina candidatos a cargos eletivos como vereadores e deputados para levar e aprovar suas demandas”.
No entanto, de acordo com Gennari, o PCC, além de apoiar políticos com dinheiro e corrupção, coloca políticos para atuarem com as suas propostas. “No ataque do PCC em 2006, usou um discurso ideológico, “nossa luta não é contra a população e sim contra o Estado”.

Para concluir, o professor indica que o PCC tem usado discursos políticos para cooptar pessoas para suas plataformas políticas. “Em São Paulo, em cidades menores, já tivemos prefeitos e vereadores presos pela polícia por ligação com a facção. O crescimento da facção é perigoso no sentido de no futuro poder controlar politicamente cidades e quem sabe estados”, conclui.
